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Premium Edition #006: Por que o médico continua insubstituível na era da inteligência artificial

Espontaneidade, ética, intenção e psicologia: os limites da IA e a força do humano na prática médica

Premium Edition #001: Por que o médico continua insubstituível na era da inteligência artificial

28 de agosto de 2025, quinta

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News in Deep ...

📄 Título: 4 qualidades humanas que a inteligência artificial não consegue copiar

✍️ Autores: Agustín Joel Fernandes Cabal

🧾 Revista: The Conversation - BBC

📅 Data de Publicação: 26 julho 2023

imagem conceitual criada por IA no MidJourney

📍Introdução

Vivemos um momento único na história da medicina. Pela primeira vez, uma tecnologia tem o potencial de rivalizar com a nossa capacidade de analisar dados, cruzar informações e até sugerir diagnósticos. A inteligência artificial deixou de ser ficção científica para se tornar uma ferramenta de uso cotidiano — presente em aplicativos, prontuários eletrônicos, wearables e, cada vez mais, no imaginário coletivo dos pacientes.

Diante dessa revolução, surge uma pergunta inevitável: será que o médico pode ser substituído?
Minha resposta é clara: não. Mas isso não significa que o futuro será o mesmo. O que está em jogo não é a substituição, mas a reconfiguração do papel do médico.

Um artigo recente da BBC chamou atenção para quatro qualidades humanas que a IA não consegue copiar: espontaneidade, ética, intenção e psicologia. Ao refletir sobre essas características, percebo que elas não são apenas “limitações da máquina”. São, na verdade, os elementos que tornam a prática médica profundamente humana.

Neste ensaio, quero explorar como cada uma dessas dimensões se manifesta no consultório, como a IA pode atuar como aliada — e por que a complementaridade entre humano e máquina é o verdadeiro caminho para o futuro da saúde.

🔍 Minha análise

Experiência tácita: o saber que não cabe em algoritmos

Existe um tipo de conhecimento que não se encontra em livros, artigos ou diretrizes. É o conhecimento que nasce da prática repetida, do contato com centenas de pacientes, da observação silenciosa de detalhes que escapam aos olhos inexperientes. É a experiência tácita, invisível e intransferível.

Pense em uma consulta. O paciente diz que está bem, mas você percebe algo estranho na sua postura, na sua entonação, no tempo que leva para responder. Esse desconforto é registrado em sua mente, não como dado objetivo, mas como sensação. Você não consegue explicar com precisão, mas sabe que algo não está certo. E, muitas vezes, é esse instinto clínico que leva a uma pergunta-chave, a um pedido de exame que revela o diagnóstico precoce.

Essa dimensão é o que chamamos de espontaneidade: a capacidade de improvisar, de sair do roteiro, de criar no momento presente. Uma IA pode seguir fluxos clínicos e probabilidades, mas não improvisa. Ela não cria metáforas para explicar uma doença de maneira única a cada paciente. Não muda a ordem das perguntas porque percebe uma hesitação na resposta.

E, no entanto, a IA traz outra riqueza: a experiência coletiva. Enquanto o médico acumula décadas de prática individual, a IA acumula milhões de casos em sua memória estatística. Ela vê padrões invisíveis, correlações que um ser humano não teria tempo de identificar.

A força do futuro está justamente no encontro dessas duas formas de experiência.

  • O profundo, que é humano, forjado em histórias reais.

  • O amplo, que é da IA, construído a partir de uma escala impossível para nós.

Quando se complementam, criam uma medicina mais robusta — e muito mais próxima de oferecer o melhor ao paciente.

Ética e psicologia: decisões que nenhuma máquina pode tomar.

Se experiência e espontaneidade são um lado da moeda, a ética e a psicologia são o outro. Elas tocam diretamente no que significa cuidar de outro ser humano.

Ética: o peso das decisões

Um algoritmo pode sugerir: “esse tratamento aumenta em 15% a sobrevida em cinco anos.” Mas quem decide se esse caminho deve ser seguido é o médico, em diálogo com o paciente e sua família. Porque essa decisão não é apenas técnica. Ela envolve valores, crenças, custos, acesso, prioridades de vida.

Decidir até onde ir em um tratamento oncológico, optar ou não por um transplante arriscado, avaliar se vale iniciar uma terapia cara em um sistema de saúde público com recursos limitados — essas escolhas são inseparáveis da ética médica.

A ética não é programável. Podemos criar parâmetros, mas não substituímos o discernimento situacional que nasce da responsabilidade moral.

Psicologia: o cuidado além dos dados

Mas de nada adianta decidir tecnicamente se não compreendemos a pessoa diante de nós. É aqui que entra a psicologia do cuidado: perceber que um paciente recusa um tratamento não por desconhecimento, mas por estar em luto. Entender que uma criança não adere à medicação porque os pais estão sobrecarregados. Reconhecer que uma fala irritada esconde, na verdade, medo.

Uma máquina pode apontar padrões de apego, mas não pode oferecer acolhimento. Não pode segurar a mão no momento da angústia. Não pode compartilhar a carga emocional que acompanha o sofrimento humano.

É nesse encontro entre ética e psicologia que se constrói a confiança médico-paciente — algo que nenhuma IA pode replicar.

Subjetividade aumentada: quando a IA nos ajuda a enxergar além

Dito isso, seria um erro acreditar que a IA não tem nada a oferecer na esfera subjetiva. Ela pode, sim, se tornar um radar ampliado, ajudando o médico a perceber sinais que passariam despercebidos.

Imagine um sistema capaz de analisar a voz do paciente durante a consulta e detectar variações que sugerem ansiedade. Ou um wearable que registra padrões de sono fragmentados, queda de atividade física e mudanças sutis na frequência cardíaca. Esses dados, isolados, podem parecer irrelevantes. Mas, juntos, contam uma história.

Essa é a ideia de subjetividade aumentada. Não se trata de dar empatia à máquina, mas de usar a máquina para não perder sinais que exigem empatia humana.

O segredo está em como esses dados são apresentados. O médico não precisa de relatórios intermináveis; precisa de resumos inteligentes: alertas objetivos, acompanhados de justificativas claras. Algo como:

  • “Atenção: sinais de sofrimento emocional”

  • Por quê? Pausas prolongadas na fala, redução de 20% na atividade física e fragmentação do sono.

Com esse formato, a IA economiza tempo e amplia a percepção do médico, sem invadir o território da decisão clínica.

No fim, a IA não substitui o olhar humano — mas garante que ele não perca nuances escondidas.

 🤔 Conclusão e Reflexão

O avanço da inteligência artificial na saúde é inevitável. Resistir a ele por medo só nos afasta das possibilidades que podem transformar a prática médica. O que precisamos é ressignificar o papel da IA: não como concorrente, mas como parceira.

A IA organiza, amplia, revela padrões. O médico interpreta, decide, acolhe.
A IA traz dados. O médico traz ética, intenção, espontaneidade e psicologia.
Separados, cada um tem limitações. Juntos, oferecem ao paciente algo que nenhum conseguiria sozinho: o melhor cuidado possível.

A palavra final continuará sendo do médico. Mas, quando deixamos a IA entrar na sala não como ameaça, e sim como aliada, abrimos espaço para uma medicina mais completa, mais humana — e paradoxalmente, também mais tecnológica.

No fim das contas, o que importa não é a máquina nem o humano isoladamente. É o pacto de complementaridade que nos permite cumprir a essência da nossa missão: cuidar de pessoas em toda a sua complexidade.

 🤔 Para ouvir… (versão podcast - made with NotebookLM)

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